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Arquitectura Comporta e Melides

O processo de design e arquitectura de uma casa na Comporta e Melides

O processo de design da Sabrab Architecture na Comporta começa sempre pelo lugar.

Antes de qualquer desenho existe um tempo de observação, de caminhar o terreno, de perceber o vento, a luz, o cheiro da terra e o silêncio dos pinhais. A arquitetura nasce dessa relação direta com o território e não de uma vontade de impor forma.

Para Miguel Barbas, desenhar uma casa na Comporta ou em Melides é um exercício de contenção e verdade. A escala deve ser baixa, próxima do solo, quase como se a casa se deixasse pousar na paisagem. As volumetrias são simples, claras, sem ruído. Não se trata de replicar o vernacular, mas de o entender profundamente e continuar essa linguagem de forma honesta.

A construção é parte essencial desse pensamento. Deve usar-se cal natural, não cal italiana industrializada, porque o material precisa de respirar e envelhecer com dignidade. As paredes devem ser pensadas em sistema de parede dupla e não em soluções de capoto, garantindo inércia térmica, conforto real e durabilidade. A casa não é um objeto efémero, é algo que deve resistir ao tempo e melhorar com ele.

A arquitetura verdadeira é sempre vernacular no sentido mais profundo. Não é estética, é conhecimento acumulado. É saber construir casas sustentáveis antes de a palavra existir. Casas que respiram, que regulam naturalmente a temperatura, que vivem em equilíbrio com o clima e com o lugar.

O objetivo é criar espaços onde se sinta essa autenticidade. Onde o ar dentro da casa tem qualidade, textura quase. Onde entrar é como aproximar o rosto de um pote de barro acabado de molhar, depois de beber água fresca. Existe uma sensação física, primária, difícil de explicar mas imediatamente reconhecível.

O interior e o exterior não se separam de forma rígida. A casa prolonga-se para pátios, alpendres e sombras filtradas. A vida acontece nesses espaços intermédios, protegidos mas abertos, onde a luz entra com medida e o tempo desacelera.

Na Comporta e em Melides, uma casa deve ser silenciosa. Não procura protagonismo. Procura pertença. Deve parecer inevitável naquele lugar, como se sempre tivesse existido ali.

Este é o princípio da Sabrab Architecture, desenhar casas que respeitam o território, que utilizam materiais verdadeiros e que recuperam uma forma de construir e habitar mais essencial, mais duradoura e mais humana.

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